terça-feira, 2 de outubro de 2007

DEGELO na mais alta estação de ski do mundo!








Mesmo nos seus tempos áureos, a área de ski de Chacaltaya nunca rivalizou com Aspen. Num vale desolado dos Andes bolivianos, Chacaltaya tinha apenas para oferecer uma pista de descida de 800 metros, uma subida de regresso ao cume por tele-ski mecânico e uma infusão de folhas de coca para combater as cefaleias da altitude. Todavia, a 5.260 metros, Chacaltaya era a área de ski mais elevada do mundo.Esses tempos de glória chegaram ao fim. Esquiar neste local dependia de um pequeno glaciar que se transformava numa pista de ski aceitável quando a estação húmida da Bolívia o cobria de neve. O glaciar já estava a regredir quando a área de ski abriu em 1939. Na última década, entrou definitivamente em espiral descendente. No ano passado, tudo o que restava eram três secções de gelo arenoso, a maior delas com escassas duas ou três centenas de metros de extensão. O tele-ski atravessava campos de pedras. Das montanhas às calotas glaciárias polares, o mundo está a perder o seu gelo mais depressa do que se julgava possível. Até os cientistas que vigiam Chacaltaya desde 1991 pensavam que o glaciar resistiria mais tempo. Face às emissões automóveis e industriais que aquecem o clima, não admira que os glaciares estejam a derreter. Mas ultimamente, a perda de gelo tem ultrapassado a constante subida das temperaturas globais. Os cientistas estão a descobrir que os glaciares e as calotas glaciárias são surpreendentemente sensíveis. Em vez de derreter de maneira regular, como um cubo de gelo num dia de Verão, são propensos a efeitos de retroalimentação: a descongelação provoca mais descongelação, e o gelo regride de modo acentuado. Em Chacaltaya, por exemplo, as pedras escuras postas a nu pelo glaciar em processo de derretimento vieram acelerar ainda mais a sua morte, pois absorvem o calor do sol. Outros efeitos de retroalimentação estão a provocar a diminuição dos glaciares alpinos de maiores dimensões antes do previsto, precipitando as calotas glaciárias polares oceano adentro. A maioria dos glaciares dos Alpes poderá desaparecer até ao fim deste século, e o gelo que dá nome ao Parque Nacional dos Glaciares, nos EUA, poderá derreter até 2030. Os pequenos glaciares espalhados pelos Andes e pelos Himalaias têm, na melhor das hipóteses, mais algumas décadas. E o prognóstico para as calotas que cobrem a Gronelândia e a Antárctida? Ninguém sabe. Eric Rignot, cientista do Laboratório de Propulsão a Jacto (JPL) da NASA, mediu uma duplicação na perda de gelo da Gronelândia ao longo da última década e comenta: “Assistimos actualmente a coisas que, há cinco anos, pareceriam impossíveis, extravagantes, exageradas.” O destino de muitos glaciares alpinos já está traçado. Milhões de pessoas de países como a Bolívia, o Peru e a Índia que dependem actualmente da água do degelo dos glaciares de montanha para irrigar os campos, beber e produzir energia eléctrica poderão ficar a seco.
Fonte: Artigo da revista National Geographic

Terra filmada em alta definição

Sonda lunar japonesa captou imagens da Terra a 110 mil quilómetros de altitude




A câmara de vídeo de alta definição (ver foto a baixo) que segue a bordo da sonda lunar japonesa “Kaguya” enviou as suas primeiras imagens do nosso planeta, captadas a uma altitude de 110 mil quilómetros, anunciou hoje a estação pública NHK (Japan Broadcasting Corporation), que concebeu a câmara.
Os primeiros vídeos de alta definição da Terra foram captados no passado sábado às 21h46 (13h46 em Lisboa) e recebidos pela Agência de Exploração Espacial Japonesa (Jaxa) na manhã do dia seguinte, às 09h40 (01h40 em Lisboa), explicou a NHK.

Parte da imagem foi processada como imagem estática. “Esta é a primeira vez que a Terra é filmada em alta definição, a 110 mil quilómetros de distância”, comentou a estação de televisão pública nipónicaa, cujos engenheiros desenvolveram esta câmara especialmente adaptada às condições espaciais e ao objectivo da missão lunar “Kaguya”. “Até hoje, tínhamos imagens captadas pela Estação Espacial Internacional (ISS) que está a 340 quilómetros de altitude”, lembra a Jaxa, em comunicado. As imagens foram captadas quando a sonda japonesa seguia, como previsto, a sua trajectória em direcção a uma órbita lunar.

No passado dia 14 de Setembro, o Japão lançou do centro espacial Tanegashima um foguetão com a sonda de observação, e que consiste na primeira fase do que foi apresentado como o mais ambicioso projecto lunar desde as missões norte-americanas Apollo. O programa nipónico tem como objectivo compreender melhor a origem e evolução da Lua, com a ajuda de 15 instrumentos de medição. “Kaguya”, nome de uma princesa de um conto tradicional japonês, permitirá traçar uma cartografia precisa da Lua e conhecer melhor a sua superfície e as suas camadas interiores.

A sonda vai estudar ainda a distribuição dos minerais e de outros elementos, avaliar os fenómenos magnéticos e o comportamento das partículas energéticas. Esta missão custou 355 milhões de euros e tem a duração de um ano.










Câmara de alta definição utilizada pela sonda



Notícia do Público de 2/10/2007